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Brisa & Ventania
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em altos brados

berro

não deixo entrar ninguém

nem branco, nem abade

nem com a barba por fazer

bato se preciso

mas me faço obedecer

bruta ou borralheira

absurda ou abissal

não abdico dos meus brios

não permito

que entrem na minha gruta

e lá descubram o meu vazio

 

Martha Medeiros, em ‘De Cara Lavada’

que você tenha tido um derrame

uma anorexia nervosa, uma falta súbita de memória

que tenha tido suores noturnos

taquicardia, febre, envenenamento

que tenha tido trombose, hemorragia, pneumonia dupla

que tenha tido tudo isso ao mesmo tempo

uma glaucoma, uma tuberculose,

uma perfuração no abdômen

sou muito boazinha mas não aceito qualquer desculpa

 

Martha Medeiros, em ‘De Cara Lavada’

a administração da minha vida amorosa

não anda como eu queria

 

o primeiro pretendente não pagou o que devia

o segundo, inadimplente, não entregou a mercadoria

o terceiro, dependente, deixou minha geladeira vazia

e o último, incompetente, não estava na garantia

 

abro amanhã meu coração

para uma auditoria

 

Martha Medeiros, em ‘De Cara Lavada’

quem é você dentro de mim

que não teme a opinião alheia

que se alimenta de dinamite

que explodindo não incendeia

quem é você por trás dos meus atos

que quando concordo suspeita

que quando aceito discorda

que quando adormeço não deita

quem é você escondida em meu corpo

que arranca a folha da agenda

que vive fazendo minha mala

que não reconhece minha letra

quem é você invisível no espelho

que sempre me despenteia

 

Martha Medeiros, em ‘De Cara Lavada’

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