www.2w.com.br
Brisa & Ventania
Now Playing Tracks

Minha morada são os caminhos

– Nas cidades fico à sombra dos parques

– Nos ermos à beira dos rios

– Nas montanhas sou pastor de solidão

 

À noite entro na casa dos delírios

Onde os sonhos se esvoaçam

E o terror é causado no cérebro

Pela vertigem da Via-Láctea

 

A manhã põe em fuga as andorinhas

Que vão desaparecer no crepúsculo

– A porta do céu não é o paraíso

Onde queimo os pés nas pedras do caminho

 

Adelmo (José De) Oliveira, III – A Morada

Expulsem de mim os delírios

A Terra foi varrida por um turbilhão de ódios

– As veias extravasam músculos

E mancham de sangue as cortinas

                                              deste palco

 

Venho do genoma na cadeia de milênios

E tudo que sou e sempre do que fui nunca serei

– Homem-Enigma eu me dissolvo em pó de argila

Regido pelo terror dos céus e pela angústia

                                                            do acaso

 

E vede amigos que até rio do brilho do sol

Para quebrar a morbidez da lua

– A história é tão sinistra que se oculta atrás da porta

Onde o grito da metáfora transpõe o ritmo

                                                           dos astros

 

Expulsem de mim os delírios

– Sou um átomo de luz nas trevas

A tropeçar em vão no chão das horas

Que repetidas se propagam na vastidão

                                                     do nada

 

Adelmo (José De) Oliveira, II – Os Delírios

Se eu pudesse escrever o silêncio

Criaria uma nova língua

– Uma gramática de signos

Signos a compor um espaço do nada

 

Se eu pudesse escrever o silêncio

Viajaria no deserto

Consumindo distâncias e miragens

Para decifrar o segredo

 

Se eu pudesse escrever o silêncio

A imagem nasceria atrás do espelho

– A morte falaria

E em seu redor não cresceria a ferrugem do tempo

 

Adelmo (José De) Oliveira,  I – O Silêncio

Esta que vem do mar por entre os ventos
Sacudindo as espumas dos cabelos
Vem molhada de azul nos pensamentos
Seu corpo oculta a ilha dos segredos
 
Vem e dança ao andar sobre as areias
Úmidas sob os passos e os desejos
Onde as ancas são ondas em cadeias
Infinitas de luz contra os espelhos
 
Nem precisa de flor nem de perfume
Ela é a própria essência do ciúme
Feita de mito e se fazendo estrela
 
Vem – dança – e passa aos fogos do verão
– Fantasia da última estação
Explodiu na vertigem da beleza
 

Adelmo (José De) Oliveira,
Soneto da Última Estação

(Mitologia Marinha)
Zoom Info
Camera
SONY DSLR-A700
ISO
100
Aperture
f/16
Exposure
1/90th
Focal Length
90mm

Esta que vem do mar por entre os ventos

Sacudindo as espumas dos cabelos

Vem molhada de azul nos pensamentos

Seu corpo oculta a ilha dos segredos

 

Vem e dança ao andar sobre as areias

Úmidas sob os passos e os desejos

Onde as ancas são ondas em cadeias

Infinitas de luz contra os espelhos

 

Nem precisa de flor nem de perfume

Ela é a própria essência do ciúme

Feita de mito e se fazendo estrela

 

Vem – dança – e passa aos fogos do verão

– Fantasia da última estação

Explodiu na vertigem da beleza

 

Adelmo (José De) Oliveira,

Soneto da Última Estação

(Mitologia Marinha)

Pára, funesto destino, 
Respeita a minha constância; 
Pouco vences, se não vences 
De minha alma a tolerância. 

Se eu sobrevivo aos estragos 
Dos males que me fizeste, 
Inútil é combater-me, 
Nem me vences, nem venceste. 

Com secos olhos diviso 
Esse horror que se apresenta: 
Os meus existem de glória; 
Morrendo a glória os alenta. 


Marquesa de Alorna, Pára, Funesto Destino, in ‘Antologia Poética’

Esperanças de um vão contentamento, 
por meu mal tantos anos conservadas, 
é tempo de perder-vos, já que ousadas 
abusastes de um longo sofrimento. 

Fugi; cá ficará meu pensamento 
meditando nas horas malogradas, 
e das tristes, presentes e passadas, 
farei para as futuras argumento. 

Já não me iludirá um doce engano, 
que trocarei ligeiras fantasias 
em pesadas razões do desengano. 

E tu, sacra Virtude, que anuncias, 
a quem te logra, o gosto soberano, 
vem dominar o resto dos meus dias. 

Marquesa de AlornaEsperanças de um Vão Contentamento, in ‘Antologia Poética’

Sozinha no bosque 
com meus pensamentos. 
calei as saudades, 
fiz trégua aos tormentos. 

Olhei para a Lua, 
que as sombras rasgava, 
nas trémulas águas 
seus raios soltava. 

Naquela torrente 
que vai despedida, 
encontro, assustada, 
a imagem da vida. 

Do peito, em que as dores 
já iam cessar, 
revoa a tristeza, 
e torno a pensar. 


Marquesa de Alorna, Sozinha no Bosque, in ‘Antologia Poética’

To Tumblr, Love Pixel Union